Gente Leite Quente: Doutor Moysés Paciornik, o defensor da saúde da mulher

Pioneiro na prevenção do câncer de colo de útero e grande defensor da saúde da mulher, o Doutor Paciornik é reconhecido nacionalmente pela sua dedicação

Por Irma Bicalho

Quem conheceu o Doutor Moysés Paciornik, se lembrará desse grande médico e humanista, de feição doce, sempre acompanhado de sua charmosa gravata borboleta. Moysés Goldstein Paciornik nasceu em Curitiba, no dia 4 de outubro de 1914. A grande paixão de sua vida foi a medicina. Formou-se médico pela UFPR em 1938.

Especializou-se na área de Ginecologia e Obstetrícia e passou a trabalhar no Hospital de Crianças. Aprofundou seus estudos nas áreas de pediatria, hematologia, doenças vasculares, psicologia, doenças do recém-nascido, gastroenterologia e cardiologia. Também foi professor universitário e fundou na Universidade Federal do Paraná a cadeira de Higiene Pré-Natal, em 1952.

Pioneiro

Em 1959, fundou o Centro Paranaense de Pesquisas Médicas, dedicado à prevenção do câncer ginecológico e ao atendimento às reservas indígenas no Sul do Brasil. Foi o médico que implantou e incentivou o exame papanicolau no Brasil.

Durante suas atividades com os indígenas, na década de 70, observou a cultura das tribos caigangues, onde notou a saúde favorável das mulheres indígenas que praticavam o parto de cócoras. Mesmo tendo muitos filhos, elas preservavam a estrutura muscular pélvica de maneira muito mais eficiente que as mulheres da cidade. A partir desta constatação, Doutor Moysés passou a ser um incentivador do parto de cócoras.

Livros e Prêmios

Escreveu vários livros e ocupou a cadeira 35 da Academia Paranaense de Letras e a cadeira 11 da Academia Brasileira de Médicos Escritores. Entre suas publicações estão os livros: Aprenda a nascer com os índios – Parto de cócoras; Erros médicos; Aprenda a nascer e a viver com os índios; Brincando de contar histórias e Conflitos psicossociais de um consultório médico, entre outros.

Recebeu diversos prêmios e condecorações, como a Honra ao Mérito pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização; a Medalha de Mérito Agrícola da Federação de Agricultura do Estado do Paraná e a Medalha Marechal Cândido Rondon, da Sociedade Geográfica Brasileira.

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Dedicação até o fim

Doutor Moysés nunca deixou de atender suas pacientes. Depois de realizar mais de 60 mil partos, deixou as cirurgias de lado aos 90 anos. Mas ainda realizava consultas, na sua clínica na Rua Lourenço Pinto, ao lado da casa onde criou os três filhos. Um deles, Cláudio, seguiu a carreira do pai.

O médico teve vida longa e lúcida. Praticava os exercícios dos índios, basicamente agachamentos, para manter a saúde plena. Adorava chocolate, mas evitava ao máximo os três pós brancos: açúcar, farinha e sal. Nunca pegava elevador. Subia e descia os 19 andares do prédio onde morou nos últimos anos.

Morreu em São Paulo, no dia 26 de dezembro de 2008, aos 94 anos, de parada cardíaca. Foi após uma cirurgia em decorrência de uma queda que sofreu em Angra dos Reis. O legado deixado por ele, além dos 60 mil paranaenses que nasceram pelas suas mãos, inclui a saúde da mulher, a diminuição do índice de morte por câncer de colo de útero e o exemplo de homem dedicado à profissão e ao bem da humanidade.

 

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