Oficina de Música: Shows mostrarão a sonoridade do bandoneon de Astor Piazzolla

Apresentações virtuais acontecerão neste próximo fim de semana

O instrumento popularizado pelo argentino Astor Piazzolla, o bandoneon, será uma atração à parte em duas live shows que acontecerão na 38ª Oficina de Música de Curitiba: a primeira nesta sexta-feira (22/01), ainda na fase erudita do evento, às 19h45, com o Alejandro di Núbila Trio, e a segunda marcará a abertura da etapa de MPB da Oficina, no domingo (24/01), às 20h30, com a participação do uruguaio Carlitos Magallanes. Para assistir, basta acessar o site www.oficinademusica.org.br/aovivo.

“O bandoneon é moderno não só por sua invenção ser recente, com relação a outros, mas também por suas possibilidades expressivas. Isso exige a entrega absoluta do músico, que vibra com o instrumento”, conta Alejandro di Núbila, argentino radicado em Curitiba que já foi aluno em edições anteriores da Oficina de Música. Ao lado de Fábio Cardoso (piano) e Marsal Nogueira (contrabaixo), ele tocará músicas do conterrâneo e homenageado da Oficina de Música deste ano, Piazzolla, e do brasileiro Heitor Villa-Lobos – ambos com um pé na música popular e outro na erudita.

Piazzolla começou a tocar bandoneon ainda criança, antes dos 10 anos. O instrumento foi presente do pai – mais de duas décadas depois homenageado pelo filho em uma de suas mais conhecidas composições, Adiós Nonino. Aos 13 anos, em Nova Iorque, o jovem Astor tocou para ninguém menos que Carlos Gardel. De volta à Argentina, três anos mais tarde, aprimorou-se no domínio do bandoneon, que tocava de pé, ao contrário dos demais músicos, e revolucionou o tango.

Instrumento complexo

O bandoneon foi criado no século XIX, na Alemanha, para ser usado em igrejas. Pertence à mesma família do acordeon, da gaita de boca e do harmônio. Chegou à América do Sul com os primeiros imigrantes alemães, mas teve aplicação bem diferente. Começou a se popularizar na capital argentina a partir das casas noturnas da época, onde se reuniam músicos e intelectuais, rapidamente se identificando com um gênero nascente: o tango.

Se poucos pessoas entre o público conhecem o instrumento, e até chegam a confundi-lo com o acordeon, menos ainda são os músicos que o dominam. A explicação para isso, diz Di Núbila, é a complexidade do instrumento.

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“A execução é muito difícil, primeiro, porque o músico não enxerga os teclados, posicionados assimetricamente dos dois lados do fole. É como se tocasse piano de olhos vendados. Quando esse fole abre, cada tecla produz um som. Quando fecha, as mesmas teclas produzem sons diferentes. Na prática, é como se houvesse quatro teclados. Então, além de dominar todo o teclado e a entrada e saída de ar, é preciso tocar música”, resume o músico, que é o único bandoneonista de Curitiba.

Tantos detalhes exigem disciplina dobrada de quem decide estudar o instrumento, o que significa a dedicação de cerca de três horas diárias e encontrar um curso ou professor – o que também é raro. Outra qualidade que o músico precisa ter é a paciência.

“Enquanto no piano é possível tocar um minueto de Bach a partir de seis meses de estudos, no bandoneon não se faz isso antes de dois anos”, conta Alejandro, que descobriu o instrumento por volta dos 15 anos, em Buenos Aires. Foi quando viu uma notícia sobre o bandoneon na música clássica.

Em Curitiba há cerca de três décadas, o músico ajuda a difundir o tango e o bandoneon. Além do trio musical, ele produz o programa semanal “Tanguería”, um espaço para o encontro com o tango, veiculado há 10 anos pela Rádio Paraná Educativa.

 

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