Percepções “do avesso” são exploradas em espetáculo curitibano no Festival Acessibilidança

Montagens premiadas da região Sul são exibidas em vídeos com audiodescrição e Libras

Nesta quarta-feira (21/07), o espetáculo de dança contemporânea “Do Avesso”, do grupo curitibano Nó Movimento em Rede, será apresentado na etapa Região Sul do do Festival Acessibilidança. Criadores e intérpretes da companhia, que têm ou não algum tipo de deficiência, expõe as percepções “do avesso” por meio de seus corpos.

“A montagem se caracteriza a partir de um olhar sobre o momento presente, abordando as multidimensões de seus corpos expostos pelo lado de dentro, pelo lado contrário, fora do lugar, Do Avesso — em sua potência de subjetividade individual e criação de novas realidades”, ressalta o grupo.
A exibição será a partir das 21h, com audiodescrição e Libras, no YouTube da Funarte. O vídeo ficará disponível no canal.
O espetáculo é composto por quatro ato. No primeiro, “O Avesso de Edite”, três mulheres apresentam suas versões do trabalho coreográfico Edite (2019-2020), com solos que recriam o exercício de edição de si mesmas. As artistas “transitam entre nuances imaginativas da investigação dos corpos em relação ao ambiente cênico e compõem escolhas de edição, a partir de estados de corpo predominantes em cada uma delas”, observam os integrantes do grupo. De acordo com eles, as “escolhas compositivas” evidenciam “sensações de ilusão” e, entre outras coisas, “extremos de temperatura do corpo em contato com mudanças de iluminação (quente/fria) na cena”.
“Dupla Exposição ao Avesso”, o segundo ato, tem um jogo coreográfico entre dois corpos/pessoas, com e sem deficiência. No elenco, uma dançarina e um fotógrafo estão expostos a algum grau de submissão e subversão às regras do jogo, mostradas em cena a partir de algumas restrições. A dançarina é desafiada a criar movimentos que incluam a solicitação verbal do momento em que quer ter seu corpo fotografado. O fotógrafo, por sua vez, direciona o olhar por meio da câmera para o que lhe interessa na criação. Porém, ele deve fotografar apenas quando a dançarina solicitar. O resultado de imagens produzidas pela exposição dos dois artistas a essas restrições busca revelar o avesso da tensão entre submissão e subversão, própria de processos criativos.
O terceiro ato, “Avessos no CorpoMundo”, apresenta um trabalho artístico sobre pessoas que dialogam, negociam e se movem por meio de perguntas sobre suas fragilidades, dores, fracassos e limites. “Investe em uma ideia de avesso que pode ser sentida no intervalo entre uma pergunta e uma resposta, ou algo que acontece dentro de cada um. Por meio de uma abertura criada, pode trazer uma transformação perceptiva capaz de gerar outro ambiente relacional entre as mesmas pessoas. Em tempo real, são criadas elaborações sobreviventes ao encontro das diferenças dos corpos com e sem deficiência dos criadores/intérpretes, evidenciando como discurso as inquietações que surgem dessa relação”, aponta o grupo.

Espetáculo “Do Avesso” é composto por quatro atos. Foto: Cayo Vieira

“Adapt entre Avessos”, por sua vez, o quarto e último ato da montagem, parte da ideia de um diálogo entre os dois corpos presentes em cena e, também, de cada corpo com o espaço em questão. A apresentação propõe uma adaptação de modos de relacionamento com a diversidade, em uma espécie de jogo entre adaptar e adaptar-se na convivência.
O grupo explica que “Adaptat já esteve em muitos ‘entres’, como pessoas, espaços e configurações. E seu ‘entre Avessos’ é justamente sobre este corpo demandado a adaptar-se ao hoje. Avessos que se multiplicam e se atualizam diariamente em urgência, clamando por um corpo presente.”

Espetáculos de Porto Alegre e de Florianópolis já estão disponíveis

No dia 7 de julho, “Flamenco Imaginário”, da Cia. Del Puerto, de Porto Alegre (RS), deu início à programação da região. A montagem de dança é livremente inspirada na dramaturgia de “O Corcunda de Notre-Dame”, de Victor Hugo. As intérpretes trazem à cena um espetáculo lúdico e criativo, com trilha sonora inédita, composta especialmente para a obra, provocando a imaginação e os sentidos. Flamenco Imaginário foi adaptado para o festival com acessibilidade plena e adaptações pensadas para a transmissão em vídeo.
Já a Cia. de Dança Lápis de Seda, de Florianópolis (SC), exibiu “Convite ao Olhar” no último dia 14. O grupo é formado por dez bailarinos, entre eles pessoas com deficiências física e/ou intelectual, e é resultado da pesquisa de mais de 20 anos da diretora e coreógrafa Ana Luiza Ciscato. Cada integrante é parte do processo criativo e contribui para a composição dos trabalhos e temáticas. O espetáculo apresentado no Festival Funarte Acessibilidança parte de elementos do cotidiano dos bailarinos e de como cada indivíduo reage a diferentes situações, abordando a importância da singularidade humana com leveza e bom-humor.

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O Festival Funarte Acessibilidança foi criado a partir das ações do Prêmio Festival Funarte Acessibilidança Virtual 2020. No concurso público, foram premiados 25 projetos de vídeos de espetáculos, que promovem o acesso de todas as pessoas à arte.
“Estamos estreando o Festival Funarte Acessibilidança, um projeto inédito com foco na acessibilidade e na inclusão. Ao longo dos próximos meses, serão apresentados espetáculos de dança das cinco regiões do Brasil, plenamente acessíveis ao público, contemplando uma enorme diversidade na sua programação”, explica o coordenador de dança da entidade, Fabiano Carneiro.
O festival foi lançado no dia 16 de junho, com o espetáculo “Lua de Mel”, da Cia. Lamira Artes Cênicas (Tocantins). Na semana seguinte, foi exibido “Maculelê: Reconstruindo o Quilombo”, do Grupo de Dança Reconstruindo o Quilombo (Rondônia). “Solatium” encerrou a programação de companhias da Região Norte. A fase atual apresenta as montagens premiadas da Região Sul. Os projetos contemplados nas demais regiões do País serão exibidos em seguida, até outubro, por meio do Canal da Funarte no YouTube.
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