A professora Maria Olga Mattar foi uma incansável estudiosa dedicada ao combate de preconceitos

 

professora Maria Olga Mattar

A professora Maria Olga Mattar. Foto: Acervo de Sandra Maria Mattar Diaz

Por Alexandra F. M. Ribeiro e Alboni M. D. P. Vieira

A trajetória da professora Maria Olga Mattar foi iniciada em tempos muito difíceis para que as mulheres desempenhassem uma profissão. Ir além dos muros da própria casa, escolher uma profissão, escapar do domínio paterno, não constituir uma família eram atitudes tidas como de rebeldia, incompatíveis com o perfil esperado da mulher.

Nascida em 25 de abril de 1923, na Lapa, neste estado, Maria Olga era filha de Jorge Pedro Mattar (1989-1976), imigrante libanês que, com 16 anos de idade veio ao Brasil, e de Wanda Bruginski Mattar (1904-1969), filha de imigrantes poloneses, que residia em Papagaios Novos (Vilinha), no município de Palmeira, Paraná. Sabe-se que o pai, Jorge, era um negociante capaz de arriscar tudo em uma ideia ou em um negócio, além de possuir grande habilidade em cálculos. A mãe, Wanda, sempre esteve ao lado do marido, desempenhando com excelência suas funções de dona de casa, mãe e esposa. Maria Olga teve apenas um irmão, Pedro Agenor, advogado, pai de cinco filhos: Rita, Sandra, Jorge, Mário e Luiz.

Explica Rita, sobrinha de Maria Olga, em sua dissertação de mestrado “Raízes de uma trajetória docente no âmbito de ser mulher”, defendida na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 2017, que a convivência de Maria Olga com o irmão fê-la perceber a importância que a família dava ao filho do sexo masculino, sendo o provável início dos questionamentos que a inquietaram durante sua vida, a respeito do lugar que a mulher ocupava na sociedade e do porquê de os homens possuírem privilégios que eram negados às mulheres. (MATTAR, 2017).

É ainda Rita que conta que a “tia Olga” possuía muitas qualidades: era estudiosa, pontual, correta, filha amorosa, justa, respeitosa com todos aqueles com os quais convivia. No entanto, dotada de personalidade forte, queria tudo do seu jeito e era muito teimosa. Gostava de discussões inteligentes, com os muitos amigos e amigas que possuía, entre eles intelectuais do porte de Octávio Ianni e Gláucio Veiga, entre outros. Procurava manter a família sempre unida e fazia a comemoração das datas festivas dos sobrinhos e dos sobrinhos-netos em sua casa, com muita gente, comida, alegrias e conversas (MATTAR, 2017).

Do ponto de vista de sua formação, Maria Olga fez o curso ginasial no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, o “Cajuru” em Curitiba, de 1935 a 1939. Posteriormente, veio a lecionar filosofia e psicologia geral e educacional nesse mesmo colégio. Concluído o curso ginasial, fez o curso de professora normalista, na Escola de Formação de Professores (atual Instituto de Educação do Paraná Erasmo Pilotto – IEPEP0. Em 1945, graduou-se pela Universidade Federal do Paraná. No ano de 1958, apresentou, nessa mesma universidade, sua tese “O preconceito e sua força desagregadora, na vida social”, orientada por Bento Munhoz da Rocha Neto, com a qual obteve o título de doutora em Sociologia.

Iniciou sua atividade profissional no Colégio Zacarias, trabalhou no Colégio Estadual do Paraná por 30 anos (1952-1981), além de atuar em outras escolas particulares de Curitiba. No ensino superior, foi professora da UFPR entre 1951 e 1981. Em 1955, assumiu a cadeira de Sociologia na atual Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), na qual trabalhou até 2006, quando contava com 83 anos. Vale destacar que foi a primeira professora contratada pela PUCPR.

A professora Maria Olga Mattar faleceu no dia 1º de setembro de 2012, em Curitiba. Foi uma das pioneiras no estudo da sociologia no Paraná, incansável estudiosa dedicada à educação e ao combate aos preconceitos.

Para saber mais

Agradecimentos

Agradecemos a colaboração de Rita de Cássia Mattar e de Sandra Maria Mattar Díaz, sobrinhas da professora Maria Olga Mattar e igualmente professoras, que cederam a foto publicada nesta coluna.

 


Alexandra F. M. Ribeiro é doutoranda e mestre em Educação – Linha de Pesquisa História, Memória e Políticas Educacionais e Alboni. M. D. P. Vieira é doutora e mestre em Educação – Linha de Pesquisa História, Memória e Políticas Educacionais.