Vamos falar de filmes: Melhores da Netflix em 2020 – Tesouros Ocultos

Para finalizar a lista melhores filmes da Netflix deste ano, conheça alguns títulos desconhecidos pela maioria das pessoas

Por Márcio L. Santos

A terceira e última parte dos melhores do ano no serviço de streaming Netflix traz algumas pérolas que passaram batidas por parte do público, mas que tem tudo para atender àqueles sedentos por novidades e pela cinematografia de outros países.

Para quem ainda não leu as duas primeiras partes da lista de melhores filmes de 2020, elas estão AQUI e AQUI.

TEMPO DE CAÇA
Yoon Sung-hyun
2020
★★★★

Dirigido por Yoon Sung-hyun, o filme mostra uma realidade distópica de cidades vazias, lojas fechadas, desemprego, miséria, roubo, depredação e polícia nas ruas. O filme conta a história de um rapaz que, após sair de uma temporada na cadeia, convence três amigos a realizar um assalto a uma casa de apostas. O dinheiro, como todo sonho que preze, lhes daria o direito a uma vida de luxo na beira da praia, longe das preocupações.
Nem tudo porém, como é de se esperar, acontece como o esperado e eles passam a ser perseguidos por um assassino implacável, cuja paixão pela caça é muito maior do que o desejo de cumprir sua missão.
Banhado em tons vermelhos e laranjas, o filme carrega um tom trágico constante, em que cada passo pode ser o último. Quando abandona o heist movie e se dedica a ser unicamente um filme de perseguição, o filme ganha contornos épicos indiscutíveis. Não há nada ali além da obsessão do assassino pela caçada e a luta desesperada dos amigos para irem além da noite de arranha-ceús ameaçadores e um nevoeiro que insiste em nublar a visão do que os cerca. O medo, o desespero e a desesperança, dessa forma, vão ganhando cada vez mais força na narrativa, numa direção afiada que ainda se esmera em sequências de ação tensas e violentas [ainda que bem longe dos headshots do cinema indonésio].
Tempo de Caça é um filme hipnótico, pulsante, com uma direção de arte primorosa [o filme aqui presta novamente homenagens não só a Blade Runner como a Akira] que só não me ganha nota máxima porque poderia ser editado de forma um pouco mais econômica e pela conclusão excessivamente aberta e que aponta descaradamente para uma continuação.

NINGUÉM SABE QUE ESTOU AQUI
Gaspar Antillo
2020
★★★★


Memo Garrido é um homem perdido em seu infortúnio pessoal. Arredio, de poucas palavras, sempre fugindo dos olhares que insistem em segui-lo, Memo tem em seu passado uma história de muitas perdas e poucos ganhos.
Encarnado por uma inspiradíssimo Jorge Garcia [o Hurley de Lost], Memo é uma figura que transita entre o trágico e mágico. Se sua inabilidade social o transformam em um quase ermitão disfuncional, seus sonhos de um passado/presente/futuro de glória o transportam a palcos imaginários de sedas, brilhos e cetins em que ele é a verdadeira estrela. É algo tão forte e tão intenso que há momentos em que ele precisa colocar todo esse estrelato para fora, literalmente.
Dirigido por Gaspar Antillo, Ninguém Sabe que Estou Aqui não é uma história de redenção nem muito menos de perdão. Há algumas catarses capazes de arrancas lágrimas que você não espera, mas o que marca essa obra sensível e delicada é o olhar imenso sobre a matéria da qual os sonhos são feitos – e sobre o silêncio que paira quando os afastamos para longe, para sempre.

LAÇO MATERNO
Tatsushi Ohmori
2020
★★★★


É um filme bem difícil de encarar. São mais de duas horas de relações tóxicas e abusivas, seja na relação entre a jovem Akiko [Masami Nagasawa, uma atriz formidável] e seus filhos, como entre Akiko e seu namorado eventual, um sujeito desprezível que a explora sem muitas firulas.
O filme acompanha o período de cerca de 10 anos na vida de Akiko e suas crianças, inicialmente apenas com o pequeno Shuhei e depois com o garoto agora adolescente e a pequena Fuyuka.
O diretor Tatsushi Ohmori tem um olhar quase documental ao mostrar a forma como Akiko é autodestrutiva e de que forma esse seu comportamento afeta o pequeno Shuhei [dois jovens atores que encaram um furacão de experiências traumáticas] que jamais consegue reduzir o amor incondicional que sente por sua mãe. É doloroso perceber o quanto esse amor é correspondido de forma distorcida pela mãe, numa relação que beira muito mais a dependência do que qualquer sentimento de afetividade.
Incomoda um pouco o fato de que o filme, sob certo olhar, se estabelece como um desfile de iniquidades que as crianças vão sofrendo cada vez mais nas mãos da mãe completamente desequilibrada e tão manipuladora quanto. Não há a menor possibilidade de redenção nesta trama baseada em um fato real.
Aviso: EVITEM qualquer sinopse ou resumo do filme nas redes, fora a sinopse da própria Netflix, já que elas entregam detalhes cruciais sobre a trama.
 
Márcio L. Santos é jornalista, apaixonado por Star Wars, A Mosca e Os Simpsons. Costuma ver pelo menos um filme ou um episódio de série por dia e faz às vezes de crítico de cinema nas horas vagas, já tendo atuado na 91 Rádio Rock, CBN, Portal Pipoca Moderna. Atualmente colabora com o canal de Youtube Realidade Fantástica, no qual analisa diversas obras clássicas do cinema.
 

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