Vamos falar de filmes: Cinco suspenses para o Halloween

Confira dicas de suspense que valem a pena (ou não) assistir

Por Márcio L. Santos

O Halloween chegou junto com a chuva em Curitiba. Então, nada melhor que se ajeitar no sofá, apagar a luz para dar um clima e curtir um filme de terror ou suspense.

Mas, quais filmes valem a pena assistir? Separei aqui cinco títulos um pouco mais recentes, alguns nem tão conhecidos, para você conferir.

Bom filme!

NOTURNO (2020)
Direção: Zu Quirke
★★★

A Blumhouse [produtora de filmes como Corra! e O Homem Invisível] firmou uma parceria com a Amazon para a produção de uma série de filmes de suspense. Da leva de quatro filmes já lançados, este aqui é o mais bacana – ainda que tenha aquela uma atmosfera evidente de um episódio alongado da série clássica Além da Imaginação.

Desta vez, temos duas irmãs gêmeas talentosas ao piano – enquanto uma é considerada uma virtuosa, a outra é apenas ‘eficiente’. Obcecada em atingir a fama e a fortuna, esta última decide fazer um pacto com o demônio, o que, como sabemos, nunca termina muito bem.

O filme se sustenta com competência pelo talento da jovem Sydney Sweeney e tem umaclima constante de apreensão e melancolia, ainda que a conclusão desoladora seja bem óbvia. Vale uma olhada descompromissada.

REMÉDIO AMARGO (2020)
Direção: Carles Torras
★★1/2

Há uma necessidade quase patológica de se criar reviravoltas constantes nos filmes recentes de suspense, como se isso valesse mais do que uma boa narrativa ou uma trama coerente. Nesta produção espanhola a cargo do cineasta Carles Torres, a situação não é diferente. Após um acidente, o paramédico Ángel [Mario Casas, dos ótimos Um Contratempo e A Casa – também disponíveis na Netflix] passa a perseguir a sua noiva, que percebe que está numa relação abusiva e o abandona. O que se desenrola a partir daí é um nonsense desregrado em que a verossimilhança é espancada a cada dez segundos. Ainda que a quantidade de sequências em que o espectador revire os olhos de irritação seja imperdoável, o filme tem alguns momentos bem tensos, principalmente em seu clímax absolutamente divertido.

VERONICA (2017)
Direção: Paco Plaza
★★★★

Paco Plaza tem minha eterna admiração por ser responsável por [REC], de 2007, provavelmente um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Até por isso, era triste ver sua decadência nas continuações caça-níqueis lançadas posteriormente.
Mas eis que Plaza retorna à boa forma e ao horror visceral neste Veronica (disponível na Netflix), baseado um caso verídico ocorrido em 1991. A trama é simples e padrão entre 10 a cada 10 filmes de possessão: após brincar com uma mesa Ouija, uma adolescente desconfia que tenha levado um espirito do mal para casa.

Plaza intercala o clichê mais básico [aparições macabras, alguns jump scares bem dados] com alguns insights bem interessantes sobre amadurecimento, sexualidade e responsabilidade – vale destacar aqui a presença de Ana Torrent, que sempre traz um elemento curioso quando o assunto é família.

O peso crescente de terror e medo resulta num terceiro ato de dar inveja a muita Invocação do Mal por aí, no que é auxiliado pela surpreendente atuação da jovem Sandra Escacena como a protagonista Veronica.

Para quem se interessar, vale a pena fazer uma pesquisa sobre o caso na Internet, que revela alguns detalhes macabros sobre o acontecido e algumas imagens bem perturbadoras.

GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE (2014)
Direção: Ana Lily Amirpour
★★★★

Se Jim Jarmush não tivesse feito Amantes Eternos, certamente poderia estar no comando deste filme, estreia contundente da diretora Ana Lily Amarpour, um filme cuja estética, ambientação e personagens lembra e muito o trabalho do diretor nos anos 80, não por acaso uma referência forte no filme.

Nesta pequena pérola de terror, uma jovem vampira caminha todas as noites pelas ruas de Bad City, um submundo iraniano repleto de traficantes, prostitutas e drogados. Mais do que o registro de terror, o filme se fixa em seus personagens miseráveis e solitários. Fotografado em um preto e branco acachapante, o filme tem um ritmo lento e compassado, acompanhando sem pressa o desenrolar de vidas devastadas pela falta de esperança.

No papel da vampira, Sheila Vand se estabelece como uma figura icônica, com seu véu negro, sua camiseta saída diretamente de um filme da nouvelle vague – e seu skate. Já o jovem Arash (Arash Marandi) parece desembarcar de um filme dos anos 50, com seu visual selvagem e sua atitude descolada. Quando estes personagens se encontram, o filme sugere uma toada mais romântica – lembrando, em certos momentos, o sueco Deixa Ela Entrar – mas nem por isso menos violenta.

Uma obra absolutamente interessante. Até porque nunca deve ter visto um filme iraniano de vampiros. Está disponível no GloboPlay.

BELZEBUTH (2017)
Direção: Emilio Portes
★★★¾

O terror mexicano Belzebuth (disponível na Amazon Prime Video) bebe diretamente de obras setentistas como O Exorcista e principalmente A Profecia, com toques de O Bebê de Rosemary e uma crueldade inesperada e corajosa [há diversas sequências de massacre que podem chocar os mais impressionáveis].

O diretor Emilio Portes faz um filme pesado, de tramas conspiratórias apocalípticas que conseguem soar absolutamente convincentes, graças ao trabalho exemplar do elenco encabeçado por Joaquin Cosio, como o policial que precisa lidar com um trauma do passado ao mesmo tempo que investiga uma série de assassinatos. A cereja do bolo vai para Tobin Bell, nosso eternos Jigsaw [da série Jogos Mortais], como um guru de intenções misteriosas.

Com efeitos visuais na medida, algumas soluções narrativas criativas e um clima constante de medo e apreensão, Belzebuth é uma ótima pedida para os iniciados e uma lufada de ar fresco em um subgênero que tem se notabilizado muito mais pelo contorcionismo de seus dublês do que por uma história bem contada.

 


Márcio L. Santos é jornalista, apaixonado por Star Wars, A Mosca e Os Simpsons. Costuma ver pelo menos um filme ou um episódio de série por dia e faz às vezes de crítico de cinema nas horas vagas, já tendo atuado na 91 Rádio Rock, CBN, Portal Pipoca Moderna. Atualmente colabora com o canal de Youtube Realidade Fantástica, no qual analisa diversas obras clássicas do cinema.

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