Giro pelo mundo: Tropicália é tema de peça on-line gratuita com elenco de diversos países

Espetáculo une atores que moram na Alemanha, França e Brasil para trazer à tona debates tropicalistas ainda indispensáveis nos dias de hoje

2020 mudou a história do mundo. De uma hora para outra precisamos rever nossa vida e todos os setores da cultura tiveram que se adaptar a uma nova realidade. O Grupo Lusotaque, situado em Colônia, na Alemanha, percebeu que essa poderia ser a hora de se expressar de uma nova maneira e criou a peça virtual “Revoluções Tropicalistas: uma experimentação cênica”.

Com direção de Alexandra Marinho, o espetáculo traz à tona debates tropicalistas ainda indispensáveis nos dias de hoje, como desigualdade social, influências culturais internacionais, censura, feminismo e questões LGBTQI+, permeados por trechos do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

A peça faz uma releitura de cenas icônicas da Tropicália, movimento de ruptura cultural e política que sacudiu o Brasil no final da década de 60, como o discurso de Caetano Veloso no Festival da Canção em 1968 ao cantar “É proibido proibir” sob intensas vaias, o texto contundente de “Terra em Transe”, que hoje nos parece absolutamente atual em seus questionamentos, além de celebrar personalidades marcantes do movimento, como José Celso Martinez Corrêa, Maria Bethânia, Rita Lee e Jorge Mautner, unindo teatro, música e tecnologia.

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O projeto também coloca em pauta o próprio fazer teatral, debatendo a transição de sua função social e política iniciada pela Tropicália no final dos anos 60 até o questionamento do papel das plataformas digitais no contexto do “novo normal” do cenário cultural e artístico do ano de 2020.

Encenada por onze atores da Alemanha, Brasil e França, a peça é toda falada em português com legendas em alemão para que o público local também possa entender. As apresentações, que serão gratuitas, acontecerão nos dias 9, 16, 23, 30 de janeiro, sempre às 15h (no Brasil) e às 20h (na Alemanha), na plataforma Zoom. Para assistir, é necessário se inscrever previamente AQUI.

Após todas as apresentações, os atores e a diretora continuam na plataforma para conversar com o público sobre este caminho que estão seguindo e responder dúvidas dos espectadores.

Formato digital

A concepção do espetáculo nasceu em formato digital, e sem encontros presenciais, desde o início, já que a Alemanha enfrentava lockdown e quarentenas estendidas. Mesmo assim, o grupo, que partilha o interesse pela língua portuguesa e pela cultura lusófona, resolveu em junho de 2020 contar essa história no meio da pandemia.

Mas como manter a teatralidade inerente ao texto estando a um palmo de uma câmera? Começaram longos ensaios diários, estudos de texto, pesquisa de linguagem, e junto com tudo isso o medo da capacidade de se adequar a tantas mudanças. Mas o medo deu vazão à vontade de criar.

Foram três meses de preparação, onde todos os participantes se debruçaram em pesquisa, levantando todo o tipo de material sobre a Tropicália: de livros a documentários, passando por músicas e filmes da época, além de entrevistas e conversas informais com pessoas que viveram o movimento.

“Desde o primeiro encontro do grupo há uma pergunta que permeia todos os ensaios: Estamos fazendo teatro? E após meses de discussões, concluímos que a resposta não é tão importante quanto o efeito que a pergunta nos causa. Ao discutir as formas do fazer teatral, nos fortalecíamos diariamente como indivíduos e como grupo, com a participação de alguns integrantes que não se conhecem pessoalmente, mas que compartilham das mesmas dores deste ano pandêmico. E chegamos à conclusão que sendo teatro ou não, temos a certeza de que estamos aqui pelo teatro, pela arte e pela cultura”, explica Alexandra Marinho, carioca que mora na Alemanha desde 2014.

O Teatro Lusotaque, grupo teatral de língua portuguesa, foi fundado em maio de 2006 na Universidade de Colônia, na Alemanha, por iniciativa de Beatriz Medeiros, leitora do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) e professora do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colônia. O grupo promove, assim, o estudo da língua e literatura portuguesa através do teatro.

No início, o grupo era composto por variados membros, em sua maioria alunos dos cursos de Estudos Regionais da América Latina e Letras Português da Universidade de Colônia (dentre nativos e estrangeiros), complementado por atores profissionais do Brasil e de Portugal. Hoje o grupo recebe cada vez mais alunos das mais diversas áreas disciplinares e origens geográficas.

De 2010 a 2016, o grupo foi liderado principalmente por Fabian Aquilino, seguido por Marianna Souza, que dirigiu o grupo até 2019. Em 2020, Alexandra Marinho assumiu a direção do Teatro Lusotaque.

 

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