Então, é Natal: O triste retrato de uma Curitiba que persiste

Imagens de Rafael Bertelli apresentam uma cidade que não gostaríamos que existisse

Redação do Curitiba de Graça

Cantado em prosa e verso pelas autoridades do executivo, o espírito natalino está (em quase) todos os lugares em Curitiba. Está nas luzes do Passeio Público, no drive thru festivo pelos parques da cidade, está no comércio e feiras que funcionarão no próximo domingo (20/12). Se você quiser diversão, apesar da pandemia, há uma vasta oferta na programação para a família nesta época do ano.

Num ano extremamente difícil para a humanidade, em que foi preciso exercer a solidariedade e a complacência, as semanas que antecedem o Natal ganham um significado maior até para quem não é religioso ou gosta de seguir as tradições natalinas. Contudo, o Curitiba de Graça não vai aqui “inventar a roda” e fazer um texto emotivo para apresentar uma edição especial do “Curitiba na Lente”, série que é editada esporadicamente e, normalmente, com temas mais suaves. Acreditamos que as imagens a seguir podem falar – aliás, elas gritam – por si só.

As fotos são do fotógrafo Rafael Bertelli, do Mandato Goura, que gentilmente nos cedeu imagens para publicação no portal. Ele cobriu, no dia 17 de dezembro, uma semana antes do Natal, o despejo de 311 famílias da comunidade de Nova Guaporé, no bairro Cidade Industrial de Curitiba. São cerca de mil pessoas que estão longe do lugar que chamavam de lar. Os moradores contaram em entrevistas que neste próximo domingo (20/12) haveria uma festa natalina para as crianças. Afinal, criança é criança e acredita que tem também direito de festejar o nascimento de Jesus, ganhando um presente e trocando sorrisos.

Alguém pode dizer que foi o cumprimento da lei. E é verdade! O oficial de Justiça foi cumprir o determinado. O que não era de se esperar é que a ação ocorresse durante a madrugada, com forte aparato policial (como pode-se ver nas fotos) e sem aviso prévio. Os moradores tiveram apenas uma hora para deixar o local.

Do ponto de vista jurídico, há ainda uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta que a Justiça e seus agentes “avaliem com especial cautela o deferimento de medidas de urgência, decretação de despejo por falta de pagamento e a realização de atos executivos de natureza patrimonial em desfavor de empresas e demais agentes econômicos em ações judiciais que demandem obrigações inadimplidas durante o período de vigência do Decreto Legislativo nº 6 de 20 de março de 2020, que declara a existência de estado de calamidade pública no Brasil em razão da pandemia do novo coronavírus.”

Confira as fotos de Rafael Bertelli

Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli Foto de Rafael Bertelli

*As fotos são protegidas por direitos autorais. É proibida sua reprodução sem autorização do fotógrafo

 

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11 COMENTÁRIOS

  1. QUE VERGONHA CURITIBA NA VÉSPERA DO NATAL. E DAI SR RATINHO E SR RAFAEL GRECA. PARA ONDE VAI ESTAS PESSOAS? O SER HUMANO É O PIOR VÍRUS DA HUMANIDADE. NÃO É O VÍRUS DO CORONA QUE MATA É ESTES POLÍTICOS QUE NÃO TEM MORAL NEM CONSCIÊNCIA COMO DÓI NA ALMA VER OS MENOS SER DESPEJADOS DE SUAS CASAS.

  2. Não é feito “derrepente”!! Afinal… Se vc está criticando o trabalho da Polícia…. Convide VC uma família dessas para passar o Natal contigo!! O “maravilhoso” governo do PT NÃO deu casa para essas famílias???

    Muito bom ficar criticando!! Dê a solução do problema!! Vc ter um terreno, que é DA SUA família que vem de geração em geração, fruto do TRABALHO de seus avós, bisavós…e é invadido… Engraçado.. ninguém fala nada.. né!!

  3. Os bisavós e avós invadiram essas terras, pode ter certeza. A diferença é que rico não INVADE, rico toma posse para aumentar o patrimônio da sua família.
    O pobre invade e divide um pedacinho de chão para cada família.

  4. Sociedade capitalista injusta. Uma família pode concentrar herança enquanto muitos pobres não podem compartilhar um pedacinho de chão para morar e viver. Curitiba não é exemplo de justiça, mas vale “Quem pode mais chora menos”.

  5. Resíduos do ódio que resta no organismo. Não pensam em ninguém a não ser em si só, bolando sempre uma maneira de burlar a lei e roubar, oque custa deixar as famílias lá ou dar amparo e oportunidade de conquistar, poderia ser qualquer um de nós na mesma necessidade de ocupar um espaço abandonado que muitas vezes foi roubado ou invadido por pessoas grandes, as ocupações não são tem terras pequenas e sim onde tem terra de sobra sem uso, o Brasil é fruto disso, primeiro usaram os escravos para construir o país depois abandonaram a todos e doaram terras para estrangeiros europeus, toda família da Europa que quisesse vir ganhava terra, e os negros índios e brancos “criminosos” que construíram tudo ficaram sem um lugar para morar, daí vem as periferias, muitos donos dessas terras são descendentes de famílias ricas, coronéis que dividiam as terras, enfim hoje continua a mesma escravidão pois a criança não pede para vir ao mundo e mesmo assim ela vem e tem que passar por essas injustiças com a vida, o sistema manipula sem ninguém saber, a lavagem cerebral te faz esquecer….

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