Publicado em 29 de junho de 2020

Aprender receitas simples, como a da torrada francesa, pode incentivar o adolescente a se aproximar da cozinha e a deixar de lado as comidas industrializadas

Arte: Maria Clara Bicalho Patzsch

Arte: Maria Clara Bicalho Patzsch

Por Irma Bicalho

Outro dia o Pietro, amigo da minha filha, estava pedindo umas dicas de como fazer uma torrada francesa. A Julia o ensinou todo o processo, porém, ela mesma, nunca tinha feito a receita sozinha. O resultado foi frustrante para Pietro, que acabou com algumas fatias de pão encharcado e despedaçado na frigideira para seu café da manhã.

Tanto a Julia quanto o Pietro são adolescentes e não têm muita experiência na cozinha. Por isso, preparações simples, como as torradas francesas, são ótimas formas de iniciar uma aproximação com o fogão. Penso que, durante a pandemia, sem aulas, sem sair de casa, a moçada mais jovem tem uma ótima chance de aprender e praticar técnicas culinárias. Na minha opinião, não há coisa mais triste do que não saber preparar nada na cozinha. Ficar à mercê do Miojo, do Cup Noodles, dos sanduíches industrializados de micro-ondas…. Quanta depressão!

Por isso hoje quero falar de coisas bem simples, que qualquer um pode fazer e que são deliciosas. Sem contar o quesito saúde, pois são alimentos pouco processados, sem muitos aditivos químicos. Esta coluna eu dedico aos meus queridos adolescentes, famintos e ansiosos, que rondam a cozinha a cada minuto. Faço isso mesmo sabendo que eles não são os leitores da minha coluna. Mas, suas mães e avós são. Por isso, peço a elas que encaminhem o texto aos seus filhos e netos, para que eles possam experimentar as receitas saudáveis e gostosas que eles mesmos vão poder preparar.

Comecemos com a torrada francesa, que nada mais é do que uma espécie de rabanada. A diferença maior é que a rabanada é frita em óleo, sob imersão. Já as torradas francesas a gente tosta numa frigideira untada com manteiga. O segredo deste preparo é não usar pão muito macio e em fatias muito finas. Em francês, este prato chama-se pain perdu (pão perdido), porque, assim como as rabanadas, é feito com pão velho ou dormido. Por isso, você pode usar pão caseiro, pão francês (ou de sal ou cacetinho) e até baguetes e brioches. Mas se o pão estiver muito macio, como o pão de forma industrializado, é bom dar uma torradinha antes, para secá-lo um pouco.

Para preparar quatro torradas francesas, quebre um ovo numa vasilha e mexa com um garfo. Acrescente uma colher de sopa açúcar e cinco colheres de sopa de leite. Misture bem. Aqueça uma frigideira, de preferência antiaderente, e coloque nela uma colher de chá de manteiga. Molhe os dois lados da fatia de pão na mistura de ovo, bem rapidamente, sem encharcar. Só encosta e tira. Coloque a fatia na frigideira quente com a manteiga derretida e deixe-a quieta, até dourar por baixo. Vire a fatia com uma espátula e deixe dourar o outro lado. Repita com as outras três fatias. Depois, se quiser, polvilhe com açúcar e canela. Pronto!

Agora vamos preparar uma panqueca de banana. É mais fácil ainda. Quebre dois ovos e bata um pouco com um garfo. Acrescente uma banana madura amassada e duas colheres de sopa de aveia. Pode ser em farinha ou em flocos finos. Misture bem. Aqueça uma frigideira antiaderente, unte com um pouco de óleo e vá fritando as panquecas, feitas com duas colheres de sopa de cada vez. Deixe dourar de um lado, vire com uma espátula e doure do outro. Servida com mel fica uma delícia. Mas você pode inventar o que quiser para acompanhar.

Por último uma receita salgada: crepioca. Basta misturar um ovo com duas colheres de massa de tapioca (aquela farinha encontrada nos mercados, que nada mais é do que o polvilho umedecido) e uma pitada de sal. Se quiser pode misturar um pouco de queijo ralado. Derrame em uma frigideira untada com óleo e deixe dourar dos dois lados, usando uma espátula para virar. Daí pode usar como uma fatia de pão, recheando com queijo, tomate, frios, ou comer sem nada mesmo. Lembra até um pão de queijo.

Três receitas bem simples, mas que vão transformar o seu café da manhã. Será que a meninada vai ter coragem? Espero que sim. Comenta aí se você achou bacana ou me escreva dizendo qual foi o resultado dessa aventura na cozinha. Meu e-mail é [email protected]. E se quiser mais receitas e historinhas ao pé do fogão, siga a página do Feijão com Arroz no Facebook. Até a próxima!

 

 

Irma Bicalho é uma das editoras do Curitiba de Graça, jornalista, formada pela PUC-PR, dona de casa, mãe de quatro filhos e tutora de três cachorros e três gatos. Há três anos se formou no curso de Cozinheira do Senac-PR. Desde então tem se dedicado mais a duas de suas grandes paixões: comer e cozinhar.

2 Comments

  1. Elisa 30 de junho de 2020 at 13:45 - Reply

    Um que delicia,a pimeira eu conheço e muito gostosa.Vou esperimentar as outras valeu IRMA.

  2. Alexandra Ferreira Martins Ribeiro 30 de junho de 2020 at 14:16 - Reply

    Vamos tentar!

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