ARTIGO: O Dia do Cinema Brasileiro e as dificuldades de fazer cinema no Brasil

A pandemia deu força a um movimento que já estava em processo: o financiamento das produções brasileiras pelas plataformas de streaming

Douglas Henrique Antunes Lopes
Neste sábado, 19 de junho, celebra-se o Dia do Cinema Brasileiro. Esta data é marcada pela primeira filmagem realizada no país e trata-se do registro da entrada da Baía de Guanabara feita pelo italiano Affonso Segretto a bordo do Navio Brésil, no ano de 1898. No entanto, há quem comemore a data no dia 05 de novembro, em virtude da primeira exibição realizada em 1896.
O primeiro filme brasileiro de ficção foi “Os Estranguladores” (1908), dirigido pelo luso-brasileiro Antônio Leal. Desde então, a indústria passou por altos e baixos. Depois da Primeira Guerra (1914 – 1918) sofreu com a inundação de títulos hollywoodianos no mercado nacional. Teve sua época de ouro assinalada na década de 1930, com a criação de grandes estúdios como o Cinédia, dando origem à época de ouro da produção nacional.
Nas décadas de 1950 e 1960, o cinema nacional fica desassistido de políticas públicas e os cineastas precisaram ser criativos para financiar suas produções. Para realizar o longa Rio, 40 Graus, por exemplo, Nelson Pereira dos Santos levantou fundos com a venda de títulos.
O Cinema Novo, movimento cinematográfico que buscava desnudar as contradições da sociedade brasileira, protagonizado por Glauber Rocha, não visava a obtenção de lucros, o objetivo era que as bilheterias pudessem pagar as próximas produções. O Golpe Militar de 1964 dissolveu esse movimento aos poucos e vários dos seus diretores foram exilados. Mesmo assim conseguiram criar a Dinafilmes na década de 1970, possibilitando que os filmes de ordem política e crítica fossem financiados pelas bilheterias dos cineclubes.
Em 1969, o Regime Militar criou a Embrafilmes, agência responsável pelo fomento da indústria cinematográfica brasileira. Ao mesmo tempo que investiam na sétima arte, os militares tinham um programa de censura bastante rígido, que envolvia a perseguição à artistas e cineastas. Deste modo, como não era possível abordar os temas políticos, a indústria deu origem ao gênero conhecido como pornochanchada, que tinha seus roteiros inspirados no cotidiano e eram apimentados pelo erotismo e exibição do corpo feminino.

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Em 1990, já na época da redemocratização, o Governo Collor dissolve a Embrafilmes, inaugurando um período sem políticas públicas de fomento ao cinema. Em 1995, chegamos à fase do Cinema da Retomada, onde a equiparação do Real ao Dólar, possibilitou a realização de investimentos. Esse período se caracteriza pelo investimento em grandes produções, como “Central do Brasil” (1998) e “Cidade de Deus” (2002).
A pandemia, no entanto, deu força a um movimento que já estava em processo, o financiamento das produções brasileiras pelas plataformas de streaming. Além do estímulo à produção de séries e filmes brasileiros, a escassez da produção mundial nesse período fez com que as grandes plataformas retomassem títulos produzidos anteriormente, os quais, apesar de excelentes, eram pouco conhecidos do público em massa.
Desses filmes podemos citar o premiadíssimo “Alice Júnior” (2019), dirigido por Gil Baroni, que nos conta a história de Alice (Anne Celestino), uma adolescente trans que precisa mudar-se do Recife para Araucárias do Sul, cidade fictícia do interior do Paraná.
Também podemos indicar o curta-metragem dirigido por Juliana Sanson intitulado “Julieta de Bicicleta” (2018). Nessa narrativa podemos acompanhar o passeio noturno de bicicleta com Julieta (Guenia Lemos), que tem seu percurso interrompido por um assalto em que acaba sendo socorrida por um encontro peculiar.


Douglas Henrique Antunes Lopes é professor de Filosofia da Área de Humanidades da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter

 
 
 
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