Um dois, feijão com arroz, três, quatro, mantenha no prato!

Essa dupla é tiro certeiro para quem busca uma alimentação balanceada e nutritiva e tem tudo a ver com o perfil do brasileiro

Feijão com Arroz. Arte: Maria Clara Bicalho Patzsch
Arte: Maria Clara Bicalho Patzsch

 

Por Irma Bicalho

Esta é a coluna Feijão com Arroz. O título faz menção à dupla de sucesso na alimentação brasileira, o Romário e Bebeto do nosso prato de cada dia. Mas “feijão com arroz” também é uma expressão que usamos quando queremos demonstrar a simplicidade de alguma coisa, o quão básica essa coisa é. Pretendo aqui, nesta coluna, dar dicas tão importantes quanto o feijão com arroz é para a nutrição brasileira, mas, ao mesmo tempo, com a simplicidade e acessibilidade do mais singelo feijão com arroz.

Porque a união dessa leguminosa (feijão) com este cereal (arroz) é tão importante? Porque são alimentos complementares, ou seja, o que falta no feijão você encontra no arroz. Assim, quando comemos essa combinação estamos suprindo nossa dieta com um maior número de nutrientes. O feijão e o arroz fornecem aminoácidos essenciais ao nosso organismo. Os aminoácidos são moléculas que ajudam a formar as proteínas. São essenciais porque não são produzidos pelo corpo e, por isso, precisam ser adquiridos através da alimentação. Com o arroz conseguimos os aminoácidos metionina e cisteína, e com o feijão adquirimos a lisina.

O arroz possui também fosfato, ferro, cálcio e vitaminas B1 e B2. No caso da versão integral, são fornecidas também as fibras, vitais para o funcionamento adequado do intestino e a prevenção de algumas doenças, como câncer de cólon e o diabetes. Já o feijão fornece ferro, fósforo, magnésio, manganês e vitaminas do complexo B. Ele ainda é rico em fibras e tem função antioxidante. E para fechar com chave de ouro, a dupla é rica em carboidratos, que são fonte de energia, além de apresentar quantidades baixas de sódio e gordura.

Com todas essas características maravilhosas, acredite, o brasileiro tem substituído o feijão com arroz por alimentos ultraprocessados. É a sopa pronta, o macarrão instantâneo, a lasanha congelada, o sanduíche de mortadela, o salgadinho de pacote. E o que isso tem feito? Além do desequilíbrio nutricional, aumentaram os casos de obesidade e diabetes, pelo excesso de calorias, e os casos de hipertensão, pelo excesso de sódio contido nesses alimentos. Essas doenças crônicas, que antes afetavam as pessoas com idade mais avançada, agora atingem um número considerável de jovens adultos, adolescentes e até crianças.

A situação é tão grave, que o Ministério da Saúde publicou um “Guia Alimentar para a População Brasileira” em 2006, com atualizações mais recentes. O livro fala sobre o que é comida de verdade, ou seja, alimentos naturais ou pouco processados. E também ensina às pessoas o que comer e como comer. Quem se interessar pode ter acesso à publicação na íntegra clicando aqui.

Então, eu queria dizer que, apesar de ser altamente recomendável, não precisamos excluir completamente os alimentos ultraprocessados da nossa vida. Contanto que eles sejam a exceção, e não a regra. Mas o arroz com feijão, eles sim, precisam frequentar o nosso prato, pelo menos uma vez ao dia. A saciedade proporcionada por eles vai lhe livrar da lambiscaria e do lanchinho fora de hora. Mesmo sem notar, você vai comer menos e melhor. Vai até emagrecer, com o tempo. E ouso dizer que, se não tiver mais nada na sua dispensa, apenas os nossos amiguinhos, pode ficar tranquilo que de fome ou desnutrição você não vai morrer. Aposte nesta dupla dinâmica.

Para terminar, quero contar um segredo para você, que diz não saber cozinhar. Qualquer pessoa pode fazer um arroz e um feijão decentes. É só tentar. Tem uma panela de pressão? Tem uma caçarola com tampa? Então vai para cozinha e cuide da sua vida e das pessoas que você mais ama. Deixo aqui sugestões de receitas bem simples e que darão super certo. Se quiser trocar uma ideia, pedir uma ajuda, mande um e-mail para [email protected] e terei o maior prazer em responder. Bora comer bem?

Receitas de arroz e feijão simples

Sugiro que assistam estes vídeos do meu ídolo Rita Lobo (aprendi hoje que não existe ídola). Essas receitas são as mais completas, uma verdadeira aula. Ela explica bem direitinho todas as etapas do preparo. Vale a pena dedicar um tempinho, levam apenas dez minutos para assistir aos dois vídeos.

 

 

Irma Bicalho é uma das editoras do Curitiba de Graça, jornalista, formada pela PUC-PR, dona de casa, mãe de quatro filhos e tutora de três cachorros e três gatos. Há três anos se formou no curso de Cozinheira do Senac-PR. Desde então tem se dedicado mais a duas de suas grandes paixões: comer e cozinhar.

 

 

3 COMENTÁRIOS

    • Deixar de molho de um dia para outro e cozinhar na pressão por 35 minutos após começar a chiar. Não tem erro. Curta seu feijãozinho macio e com caldo grosso!

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