João Castellani desdobra o tempo enquanto abre passagem para o novo

Músico de 18 anos radicado em Maringá lança no dia 27 seu segundo EP

Multi-instrumentista, João Castellani constrói seu novo lançamento como personagem de um filme de Godard: desejando liberdade, fluindo no espaço enquanto tira sarro das noções de tempo e refletindo sobre a existência orgânica que busca levar: “Mas é da minha natureza / Que cultive a vida até não mais ver”, diz a letra do segundo registro do EP.

Exibindo uma afiada direção criativa enquanto hipnotiza o ouvinte com instrumentais ricos e potentes, as faixas tiveram sintetizadores, guitarras, violão, saxofones e baixos gravados pelo próprio músico. O EP possui duas faixas que dialogam, resgatando um formato de lado a/lado b dos antigos cassetes. Sobre as temáticas e os norteadores das canções, João discorre:

“Passagem foi uma tentativa de construir um tema devidamente estruturado, tanto em um senso melódico, como harmônico, levando a música para diferentes direções. Quis criar uma paisagem sonora com os sintetizadores no final, a partir da linha de guitarra que estabelece e define o ponto em que a música alcança, que guia também o solo de bateria.

“Via Estreita” é o primeiro som que gravo com letra, eu achei um processo muito interessante tentar desenvolver em palavras o que antes cabia ao instrumental traduzir. Acredito que essa música cabe bem após “Passagem” porque de forma alguma pretendo chamar atenção para o fato de ser um som com vozes e letra, muito pelo contrário, é apenas uma vertente que pretendo explorar e expandir com outras composições e lançamentos. Nesse caso, a transição de sonoridade e a passagem do tempo foram temas recorrentes na minha mente durante as gravações”.

Apesar de jovem, o músico já está inserido no cenário artístico local e soma parcerias, como é o caso de Mateus Alabi que gravou a bateria de “Passagem” e Edvvards, vocalista da banda Stolen Byrds que dá voz à primeira canção com letra e vocais feita por João, “Via Estreita”. Sobre essa parceria, ele conta:

“Nossa colaboração foi natural, ele é um dos vocalistas que mais admiro no contexto nacional e queria saber como ele interpretaria a letra e daria vida a melodia. Gravamos as vozes em algumas horas, que virou uma tarde conversando e refletindo sobre música”.

QUIPU, primeiro lançamento de João, conta com diversos gêneros e temáticas sonoras. Já em Passagem, o músico mostra o foco e o cuidado que teve ao explorar com complexidade um vasto universo particular, criando múltiplas imagens, plurais mas análogas, enquanto sobrepõe instrumentos e texturas. Flerta com blues, jazz, progressivo, indie psicodélico e bossa, sem se fixar em nenhum gênero.

Com mixagem do próprio músico e masterização respectivamente por Francisco Maffei (Catavento) e João Victor (Carne Doce), “Passagem” é um lançamento independente e chega nas plataformas dia 27 de janeiro.

Acompanhe o trabalho de João Castellani pelo seu instagram @joaoluiz.amaral.

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