Publicado em 29 de maio de 2020

Câncer, problemas cardiovasculares e DPOC estão entre as principais doenças relacionadas aos óbitos por tabagismo

tabagismo

O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o surgimento de cânceres, doenças cardíacas e pulmonares. Foto: Pixabay

Por Camile Triska

No domingo, 31 de maio, é o Dia Mundial Sem Tabaco. O tabagismo sempre é relacionado a mortes por diversos tipos de câncer. Mas, o hábito de fumar também tem forte relação com as doenças cardíacas e a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

No Brasil, os últimos dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), de 2015, apontam que o tabaco é relacionado a 12,6% das mortes no país – 428 óbitos por dia. As principais causas são doenças cardíacas (34.999 mortes), doença pulmonar obstrutiva crônica (31.120 mortes), outros cânceres (26.651 mortes) e câncer de pulmão (23.762 mortes).

Na maioria das populações, o tabaco representa mais de 80% dos casos de câncer de pulmão. A taxa de sobrevida da doença depende do estágio em que ele é descoberta, explica o oncologista Claudiney Arruda Cruz. “Cerca de 60% dos diagnósticos são em estágios mais avançados, quando a taxa de sobrevida é de 10% a 15% em cinco anos”, revela. Para prevenir, a principal medida é evitar o tabagismo “Não fumar ou parar de fumar é a conduta mais efetiva para reduzir a chance de ter um câncer de pulmão”, salienta o oncologista.

O hábito de fumar também é o maior fator de risco para a DPOC, que provoca a destruição do tecido pulmonar e inflamação nos brônquios. O principal sintoma é a falta de ar, que com progressão da doença torna-se mais intenso e pode acontecer mesmo quando a pessoa está em repouso. Uma das complicações é a sobrecarga do coração.

Adelmir Souza Machado, membro do Departamento Científico de Asma da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), revela que doenças e mortalidades em adultos tem um impacto crescente da DPOC e, para os fumantes, a primeira etapa do tratamento da doença é justamente largar o vício. O controle ainda inclui medicações, vacinas disponíveis para infecções virais e reabilitação pulmonar, que deve ser seguida corretamente pelo paciente para alcançar o melhor desempenho físico e da função pulmonar possível. “O controle pode permitir o paciente ficar sem sintomas por tempo indeterminado e prolongado sem a necessidade de tratamento diário”, considera.

O especialista ainda explica que a asma também piora com o tabagismo. “Indivíduos com asma podem não ser fumantes. Porém, indivíduos com asma que são fumantes têm mais agravamentos da doença e perdem a função pulmonar mais rapidamente ao longo dos anos quando comparados a indivíduos não fumantes com asma.”

Tabagismo e doença do coração é dupla de alto risco para a covid-19

Em época de pandemia da covid-19, parar de fumar é ainda mais importante. De acordo com o estudo do Laboratório Cold Spring Harbor, da revista científica Developmental Cell, os tabagistas fazem parte do grupo de risco para contaminação com o novo coronavírus e para o agravamento da doença.

Segundo o Inca, caso a pessoa abandone o tabagismo, a principal vulnerabilidade dos fumantes às complicações da covid-19 diminui imediatamente e pode até desaparecer. Esse é um dado ainda mais importante para pessoas que, além de tabagistas, sofrem de alguma doença do coração.

Entre indivíduos infectados pelo novo coronavírus que apresentam sintomas graves da covid-19 e precisam de internamento hospitalar ou morrem, 53% têm algum problema de coração (dado divulgado pelo Ministério da Saúde, baseado em um estudo publicado na revista científica JAMA Cardiology). “Se somarmos os dois fatores de risco, tabagismo mais tendência à cardiopatia ou doença do coração, a pessoa é altamente vulnerável em uma pandemia como esta, e os riscos de contrair o novo coronavírus e desenvolver as formas mais graves da covid-19 são ainda maiores e mais rápidas”, aponta o cirurgião cardiovascular do Incor Kubrusly, Dr. Luiz Fernando Kubrusly.

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Dr. Fernando Kubrusly, também membro da equipe do Incor, lembra que o tabagismo, por si só, é um fator de risco para os cardiopatas. “O tabagismo se torna mais grave a medida que a pessoa é mais exposta ao hábito. Ou seja, se fuma há 20 anos uma carteira de cigarro por dia, já é um broncopata por definição”, diz. A broncopatia é qualquer doença que afete os brônquios. Se a pessoa contrair o coronavírus, as chances de complicações são maiores. “O risco é o de desenvolver formas mais graves da doença e mais precocemente necessitar de intervenção pulmonar, que é a grande questão na covid-19, ou seja, quando é preciso do apoio respiratório, como intubação”, declara.

Números de fumantes no Brasil

Contudo, uma boa notícia: o número de brasileiros fumantes caiu 38% nos últimos 13 anos de acordo com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado em abril de 2020.

Essa queda é relacionada a Política Nacional de Controle do Tabaco (PNCT), que surgiu da adesão do Brasil à Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, em 2005. Leis antitabagismo determinaram a proibição do fumo em ambientes coletivos, o aumento de impostos federais e preços mínimos para cigarros, a proibição de propagandas, promoção e patrocínios de eventos por marcas de produtos de tabaco, entre outras, além de campanhas de conscientização.

Para quem deseja parar de fumar, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento gratuito. Em Curitiba, existem Grupos de Controle do Tabagismo nas unidades de saúde. Mais informações pelo telefone 136.

 

 

 

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